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NÚCLEO
POESIA
A LASA, no prosseguimento da
sua missão e consecução dos seus objectivos de salvaguarda e divulgação
do património e das gentes de Setúbal e Azeitão, tem levado a cabo
diversas iniciativas, entre as quais a realização anual do Concurso
Literário Manuel Maria Barbosa du Bocage, em honra do grande vate
setubalense. Iniciativa que se tem revelado de grande sucesso e que foi
referência para acolhimento da dinamização do NÚCLEO DE POESIA.
Escolhido esse porto de abrigo, em boa hora a criação do Núcleo revelou
uma dinâmica que tem resultado na promoção de diversas actividades,
entre as quais, para além da edição de algumas publicações, a realização
de Tertúlias Poéticas.
Obras publicadas:
TRAÇOS DA MEMÓRIA
(2003) – Colectânea de 10 poetas setubalenses (Avelino de Sousa –
Fernando Paulino – Filipe Malaia – Isabel Oliveira Marques – Isabel
Pintão Melo – José-António Chocolate – Manuela Matos Silva – Maria
Helena Reis Horta – Pedro Aranda – Rui de Góis Chaves)
28 POETAS SADINOS
(2004) – Retrato e Comentário, a Poesia de Agora por José-António
Chocolate.Colectânea constituída pelo retrato e o comentário sobre a obra de 28
poetas que vivem na cidade de Setúbal ou por estas bandas do Sado.
Monólogo sobre uma cidade esquecida
Esta é a cidade
Que me traz encanto
Onde o sol se banha
Na espelhada baía
Onde a serra cabe
No verde manto
Onde peixe s’amanha
Ao clarear do dia.
Esta
é a cidade
Que me traz enlevo
Onde a lua quebranta
Na noite de prata
Onde a serra sabe
Cada segredo
Onde a gaivota levanta
O peixe que a farta.
Esta é a cidade
Que me traz carinho
Outrora de laranjais
De sonegados amores
Onde acácias ao cair da tarde
Iluminam o caminho
Onde as dunas mais
Se enchem de flores.
Esta é a cidade
Que Bocage cantou
Onde Luísa Todi nasceu
E se fez ao mundo
Do Calafate
Que no verso brilhou
Onde Sebastião se deu
No seu querer profundo.
Esta é a cidade
Do azul do seu rio
Onde mãos tecem
As redes p’rá faina
Onde a bondade
Do tempo afasta o frio
Onde as velas descem
E o vento amaina.
José-António Chocolate
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É
urgente o amor.
É urgente um barco no mar.
É
urgente destruir certas
palavras,
Ódio, solidão e crueldade,
Alguns lamentos,
Muitas espadas.
É
urgente inventar alegria,
Multiplicar os beijos, as searas,
É urgente descobrir rosas e rios
E manhãs claras.
Cai
o silêncio nos ombros e a luz
Impura, até doer.
É
urgente o amor, é urgente
permanecer.
Eugénio de Andrade
1923-2005
A noite, eu queria
que pousasse serena
Mas tu
chovias em palavras frias.
Queria que o luar
deitasse nossas sombras
esquecidas sobre uma esquina
Mas tu sumiste a luz
que afogueava o sonho
e soltaste o vento que dormia
Santiago do Cacém, 8 de Março de 2005
A desafiar os silêncios frios,
debulhando o tempo,
acredita que o cheiro
ainda permanece…
Aquele mesmo
que tua pele gemida
meu corpo embravecia
Este mesmo
que respiro,
centelha que me alumia
e me aquece.
Santiago do Cacém, 17 de
Outubro de 2005
Estranha
forma
de sermos estranhos
Nós que as portas
abríamos com
um olhar cúmplice
e o futuro
construíamos
com os sonhos
que ambos sonhávamos.
Santiago do Cacém, 17 de Outubro de 2005
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